Psicologia invertida no momento de persuadir

psicologia inversa e persuasão

Não funciona apenas com as crianças e pode tornar-se um jogo perigoso, seja por se abusar da manipulação, seja pela revolta causada na pessoa manipulada ao aperceber-se. A psicologia invertida ou psicologia inversa não é mais que um jogo psicológico que tem como objetivo levar à persuasão, de modo a que, fazendo o oposto do que pedimos, a pessoa faça exatamente o que pretendemos.

A técnica pode ser bastante aplicada e notória na fase educacional das crianças, mas não está posta de parte entre os adultos. Na verdade, pode tornar-se algo perigosa quando dela se abusa.

– “João, vai lavar a loiça?”
– “Não quero!”
– “Ok, deixa… Não sabes lavar bem, de qualquer modo!”
– “Claro que sei!”
– “Não sabes nada, és muito porco!”
– “Mentira! Vou lavar a loiça e vais ver como a lavo como deve ser!”

Afinal, o que é a psicologia invertida e porque leva à persuasão?
Simples, referimo-nos a psicologia invertida quando pedimos a alguém que faça algo e essa pessoa faz o oposto – que, no fundo, era o nosso objetivo. Porque é eficaz?

– As pessoas gostam de fazer o contrário do que se lhes é pedido;
– As pessoas gostam do que é proibido;
– As pessoas não gostam de sentir que lhes é tirada a liberdade e o poder de decisão;
– As pessoas gostam de provar que são capazes;
– A psicologia invertida tem a enorme capacidade de nos persuadir através da culpa…e, como “culpados”, vamos fazer ou dizer o que o outro quer (mas não mostra) para nos livrarmos de sentimentos de culpa.

– “Amor, hoje disse aos meus colegas que não ia sair com eles. Eles querem festejar termos ganho o projeto, mas como nós combinámos ir ao cinema, eu disse que não podia.”
– “Que parvoíce! Vai com eles! Até me sinto mal por não ires!”

O jogo é perigoso, pois quando a pessoa manipulada se apercebe daquilo de que está a ser alvo, não demora a revoltar-se. Esta revolta, normalmente, traduz-se numa obediência total ao que lhe é dito, de forma a ir contra o que o outro pretende.

A psicologia inversa não é mais do que um ataque ao ego da pessoa com quem se está a praticar essa psicologia, convencendo-a de que ela não é capaz de fazer determinada coisa e, assim, a pessoa acaba por fazê-lo, de modo a provar que é capaz – isso acontece devido à dissonância cognitiva.

Sendo esta uma ferramenta de persuasão tão poderosa, não é de estranhar que esteja presente na publicidade. Aqui ficam alguns exemplos de campanhas que recorreram à psicologia invertida.

Não abuse desta técnica e tenha cuidado com quem a utiliza. Lembre-se que pode estar a magoar alguém e que ninguém gosta de ser manipulado. Estamos a lidar com emoções. Não brinque com as dos outros.

T.

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