O amor pode terminar

amor pode terminar

Amor. O que é o amor? O que se esconde por trás do amor? O que acontece quando amamos? E quando o amor acaba? Como são expressas as nossas emoções?

“I don’t see you,
but I miss you…”

Imany – Seat With Me

O amor acaba. Ponto. Ou melhor: o amor pode acabar.
Não. O amor não dura para sempre como nos filmes “e viveram felizes para sempre”. Existem, no entanto, dois sentimentos distintos a diferenciar: o amor e o não amor e, dentro do amor, o que termina – por variadas razões – e o que não termina – por outras tantas.

Não me venham dizer que a geração de hoje não sabe conservar o amor, que as relações de hoje não duram porque as pessoas não fazem um esforço para se adaptar e que, antigamente, as relações duravam para sempre.

As relações duravam para sempre porque os divórcios eram mal vistos, muitas vezes os casamentos eram “arranjados” sem haver qualquer sentimento envolvido, a violência doméstica não deixava de estar presente, mas as mulheres tinham que aguentar. Até trabalhar – ou desempenhar determinadas tarefas denominadas masculinas – era visto como um desafio à sociedade…quanto mais um divórcio! Os divorciados (quando passaram a existir) eram olhados de lado, em especial mulheres solteiras com filhos. Penso que todos já ouvimos histórias a este respeito.

A geração de hoje não sabe o que é amar? A geração de hoje não se esforça?
Sabe. E o esforço não é menor, mas, hoje em dia, temos algo bastante importante: liberdade – ou, pelo menos, tentamos manter aquela que pretendemos que não nos tirem mais.

Já amei. Muito. Já fui amada. E sou. O que se alterou, no decorrer do último século, talvez tenha sido não a falta de esforço, mas uma maior intolerância e respeito. Maior intolerância a mentiras, traições e enganos. Maior respeito por nós próprios, por não nos permitirmos a arrastar algo ou a estar com alguém que nos prejudica, seja física, seja psicologicamente.

Eu não amei porque desisti? Não. Eu desisti porque não basta amar.

o amor pode terminar

A ideia socialmente cozinhada e impregnada na nossa cabeça, desde cedo, onde nos é transmitido o que é bom ou mau, certo ou errado, socialmente aceitável ou não, guia-nos por trilhos que, muitas vezes, terminam em becos. Tudo e apenas porque esperam que sejamos um mundo de Barbies e Kens, com muitas criancinhas e sorrisos (falsos) nos lábios. Não estou, contudo, a dizer que o amor eterno não existe (e a ele já lá vamos!). Estou apenas a referir que o amor pode, efetivamente, terminar, pois não “basta querer” para se passar uma vida inteira junto.

Não vou entrar em detalhes sobre o que é ou não é o amor. Quando amamos, sabemos.

Na paixão pode observar-se um desejo mais intenso de estar com a outra pessoa, como se não conseguíssemos sequer respirar ao estar 3 segundos longe da pessoa. Ficamos com endorfinas a sair por tudo o que é poro, a sorrir como se tivéssemos feito uma plástica ao rosto e com o nosso discernimento a um nível quase igualável a zero. Exato, a paixão é isso. A fase da estupidez em que só pensamos em acasalar. Contudo, a paixão tem um fim, que poderá depender de pessoa para pessoa, mas tem um fim. Depois, pode ou não vir o amor, mas não é isso que aqui vamos discutir. A questão é: o amor pode terminar! Porquê? Porque existem mentiras, porque existe invasão de privacidade, porque existe traição, porque as pessoas nem sempre se revelam de início, porque as pessoas têm a capacidade de surpreender, porque nos iludimos e criamos expectativas relativas ao que nunca nos foi prometido, mas pelo qual esperamos (e desesperamos). Por mil e uma razões, o amor pode terminar.

“Mas, se termina, não era amor”. Bla. Bla. Bla.
Não basta querer, não basta amar, não basta desejar que corra bem para que tal aconteça. E o pior é mesmo isso: duas pessoas amarem-se e terem plena consciência de que não têm a capacidade de fazer com que a relação resulte: ou porque têm objetivos de vida diferentes, ou porque existe conflito de personalidades, ou porque pode existir constante divergência de pontos de vista (levando a constantes discussões). Mas o amor…o amor está lá. E quando o amor está lá, os anos passam-se e pode surgir um simples “sabes?” e a resposta ser, igualmente, um simples “sei”, que ambos sabem, perfeitamente, o que significa.

O amor pode terminar.
E o amor pode nunca terminar, sendo, ainda assim, forçado a um fim.

T.

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